17/09/2012

Habemus cattos - parte II

Antes de mais, deixem-me verbalizar um pensamento: NÃO QUERO ANIMAIS DOMÉSTICOS! 
Pronto, mais aliviada. Ui, soube mesmo bem... Onde é que eu ia? Ah, sim, temos mais gatos. Pois que sim, que eu tenho mais gatos, pois que não são vocês e este plural é aquilo que se chama plural majestático e serve só para os fins literários. Mas estava eu dizendo que tenho mais gatos, não de Violeta, a gata, mas de Mel Maria. E é aqui que chegamos ao ponto que me leva a concluir que realmente bichos domésticos em minha casa só se forem de plástico (lembram-se do meu aquário?) ou de loiça.

Comecemos isto por algum lado, espécie in media res, e contextualizemos a dita aventura do degredo. As sô donas gatas andaram doidas com o cio meses e meses. Vai daí que na única vez que a minha mãe se esqueceu de lhes enfiar as pílulas (pírulas, para quem é da aldeia), as assanhadas correram os gatos todos da vizinhança e combinaram de encher a casa de filhotes assim ao mesmo tempo. Isto leva-me à hipótese de ter sido uma orgia e tal, mas não quero imaginar sequer que as minhas gatas se divertem mais do que eu. 

Assim sendo, ontem pelas seis e tal, sete da manhã, a casa acordou com a estridência de Vi, a gata. Emoção, choraminguice da minha mãe e a esperança de uma arregaçada de bichos, tal era a barriga. Nada disso, a menina pariu um, unzinho para amostra. Como era a primeira ninhada (uma ninhada de um...), encarámos a coisa pelo normal. O pior veio ao fim da noite quando nos apercebemos que o bichinho estava mais frio do que quente e chorava de fome... Sim, desde que tinha nascido, não tinha mamado, porque a mãe não tinha leite. 

Aqui começa o drama, ou acontecia um milagre de noite ou a criatura ia ter uma morte daquelas dolorosas. O que aconteceu? Nada. A mãe continua sem mama e o bichinho a sofrer. Decidi, por isso, que alguém tinha de fazer alguma coisa e, depois de uma tremenda choradeira (sim, que eu sofro muito com isto), fui buscar uma caixa de plástico e uns algodões. Mais valia matá-lo de vez. 

Depois de uma chatagenzinha psicológica com o meu irmão a seguir a mim (não me olhem com esses olhos que foi ele que trouxe as duas gatas) e quando eu já estava a embeber o algodão em álcool e acetona, ele resolveu ir procurar a Mel Maria, para ver se ela lhe dava mama.

Eis senão quando, caríssimos, a bichinha já tinha duas bolinhas de pelo com ela, paridas no roupeiro dos papás. Assim que ele pôs o gatito, haviam de o ter visto agarrar-se à mama. Mas, rás parta os mas, há qualquer coisa que não bate certo e eu tenho para mim que o gatito não se salva, porque aposto o que quiserem que ele é prematuro. Nota-se pelo tamanho, mesmo pela cabeça e as patas, comparando com os outros, ainda não estão tão formadas.

Fui buscar um cesto, pus camisolas de lã velhas e fofinhas, com todo o cuidado pus a Mel lá, com os gatinho, e - vá, adivinhem, teve de correr alguma coisa mal -, vi que estava um pequenino morto, encostado à parede. Das duas uma, ou foi o primeiro e ela não soube bem o que fazer (ele estava cheio de placenta) ou, parece-me mais lógica, nasceram dois muito seguidos e aquele ficou esquecido.

Pelo meio, assisti ao nascimento de dois. Um, ainda ela estava no roupeiro, outro nasceu mais de uma hora depois. Acho que não vem aí mais nenhum, até porque foram cinco gatinhos grandes. Nasceu um escuro como ela, outro cinzento tigrado, dois ruivos e um branco (o que morreu).

Quanto ao outro, lá está, não deve passar de hoje. Pelo menos não morre sozinho, já que a desnaturada da mãe já foi laurear a pevide e deixou-o sozinho. É uma tolice, eu sei, estou a humanizar uma morte de um bicho que nem ficaria cá em casa, mas custava-me vê-lo morrer naquele sofrimento gelado, no silêncio de quem já nem força tem para miar.

Agora, vou fazer umas festinhas à Mel - está tãaaao carente! -, pôr mais roupa a lavar e ver se ela já pariu mais algum.

Já vos disse que não quero animais domésticos em minha casa? Pois, parece que sim, foi por aí mesmo que comecei.

20 comentários:

  1. É sempre triste quando têm nados mortos ou quando os que nascem não resistem. Mas é bastante comum, principalmente nas primeiras gravidezes.

    Mas depois temos os pequeninos que vivem, são tão lindos, apetece tanto passar o dia com eles nas mãos, aconchegados. Quando depois abrem os olhinhos para nós...
    É uma verdadeira obra da natureza, impossível de ficar indiferente.

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    1. Acho que o da Mel não nasceu morto, deve ter escorregado entre a roupa e a parede e ela não o conseguiu tirar.

      A minha dúvida é: é possível que uma gata tenha um prematuro e continue cheia? É que sinto gatos na barriga da Violeta e ela continua enorme.

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    2. É possivel.
      Há partos bastanteeeeee duradouros.

      Para teres a certeza só no veterinário. De qualquer das maneiras podes ir vendo os sinais, se ela está sempre a "arranjar" a caminha, se passa muito tempo nessa cama... por aí :)

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    3. Ela foi para a cama, mas à procura do filho. Acabei por o ir buscar à Mel e trazê-lo de volta. Está quase morto, não mama, mas assim ela está cama e não anda a miar tristinha.

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  2. As tuas gatas não podem divertir-se mais do que tu! Então? Ouvi dizer que se recebem e-mails a combiná-las e tudo :P Nem precisas de correr e aparece tudo à mão de semear. Mas talvez o que valha mesmo a pena seja a corrida, não é?

    Só assisti mais de perto ao nascimento de cães e a ninhada era grande, só que a mãe, inexperiente, matou muitos (sim de se sentar em cima deles ou de os encostar demais à parede numa intenção protectora!). Só sobraram dois.

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    1. Pois que não podem! Eu é que mando. humpff Ai recebem? Recebem? Perco todas as coisas interessantes. humpffx2

      Também tive uma cadela assim, muito meiguinha e maternal quando os cães já tinham uns dias (ou os gatos), quando eram por ela paridos... bem, correu muito mal.

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  3. É por essas e outras que andei muito tempo sem ter animais domésticos. Custa-me muito a sua morte, dói mesmo, R.

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    1. Muito. :(
      SOfro muito, não tenho como evitar.

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  4. Ponto da situação: já nasceram mais dois e há outro a caminho.

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    1. Da Violeta?
      Apre, coitada.

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    2. Não, da Mel. Até ver não pariu mais nenhum, foram 'só' 6 (um morreu). Tadinha.
      Agora tenho de ver se consigo dá-los, porque quando a Violeta parir também devem ser uns quantos.

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    3. Eu sei que custa dinheiro e tudo o mais, mas deviam ir ao veterinário com a Violeta.
      Eles podem dar-vos uma estimativa do tempo. Podem ver se os que ainda lá estão, estão bem. Podem aconselhar a cesariana...

      É o meu lado profissional a falar...

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    4. Será bom sinal ela ter comido que nem uma tola e ter passado a manhã toda a passear na rua?

      Ela ficou com o cio cerca de 15 dias depois da Mel, daí o mais certo é o gato ser prematuro e ela ainda não estar no tempo.

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    5. É sinal de que ela não estava mesmo à espera.
      Normalmente quando estão prontas são muito "comichosas". Estão sempre a alisar a caminha (onde supostamente os querem ter), estão sempre a miar...

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  5. Que texto bonito :)
    Adorava assistir ao nascimento deles, nunca tive a sorte.

    Que o outro ainda consiga sobreviver.

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    1. :)
      Assisti ao nascimento de três, acho que lá pelo meio também fiz força e tal :p, ia falando baixinho e acariciando o pelo dela. Ela gostou, esteve sempre muito tranquila, para quem teve 6 gatos.

      O outro não deve passar de hoje, já nem consegue mamar e é mesmo prematuro. Tenho tanta pena. :(

      Queres um? Há um macho muito lindo. ;)

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  6. Não me faças uma proposta dessas.

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    1. Faço e repito. Queres um? (olhar pestanejante fofinho implorador, tipo o Gato das Botas)

      Amanhã vou postar a foto deles. ;) (sim, meu caro, eu fui malvada e tudo e tudo)

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    2. POC, vais ter um gatinho? :P
      Carrega URS.

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