21/07/2017

Atípicos

Não contámos ao FB a alteração do nosso estado -- o que nos pareceu o mais coerente, já que o mesmo desconhecia o que éramos, não havia por que ficar a saber o que nos tínhamos tornado. Esquecemo-nos que carregávamos máquinas de fotografar, pelo que há poucas provas dos sítios que visitámos, das refeições, dos mimos, de nós. Considerámos que a nossa lua de mel era nossa,  que não era preciso alardear o destino, muito menos perder tempo a actualizar estados que só a nós interessavam. Nem sequer usamos alianças iguais porque tu, na tua imensa generosidade, deixaste que escolhesse a mais brilhante. Não deixamos provas das nossa convivência, é quase como se não existíssemos. Mas nós existimos. Nos longos minutos gastos em conversas, nos regressos a casa e nas despedidas, nos pequenos segredos que se vão paulatinamente desvendando ao mundo, no que não é preciso dizer, num pé que se estica e encontra outro pé do lado de lá, nas gargalhadas e nos pequenos amuos, nesta vida que vamos levando. Pacientemente. Tão estranha, aos olhos dos outros.

Max Dupain,Stiff nor'easter 1940s

18/07/2017

Faz-nos falta 5

Rodearmo-nos de novas experiências.


Mário di Biasi, Anos 50 (?)

14/07/2017

Faz-nos falta 4

Descobrir locais interessantes.

Mário di Biasi, Hungria, 1956

13/07/2017

Faz-nos falta 3

Passear por terras desconhecidas.

Mário di Biasi, Paris, Anos 60

12/07/2017

Faz-nos falta 2

Um Sábado preguiçoso de praia.


Mário di Biasi, Ravena, 1958

11/07/2017

Faz-nos falta

Sentar num banco de jardim.


Mário de Biasi, Milão, Anos 50


05/07/2017

A diferença

Perguntam-me se me sinto diferente. Respondo que não, e não minto. A única diferença está no anelar esquerdo e no dizer público daquilo que já sentia como verdade em privado, há tanto tempo.

04/07/2017

Sozinha

Não é a primeira vez que rodo a chave da porta, sozinha. Não é a primeira vez que subo os degraus íngremes e me deito na cama, sozinha. Não é a primeira vez que sou só eu e o silêncio. Porém, é a primeira vez que tudo acontece, estando eu sozinha, como se há uma vida estivesses comigo e nunca a ausência se tivesse imposto entre nós. Pela primeira vez, em muitos dias, adormeci com dificuldade. Sozinha.